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Síndrome do pânico atinge 10% da população

Categoria: Saúde
Data: 11/09/2017
Por: Rede Clinica Popular

Mais comum do que imaginamos, se sentir ansioso é quase que um hábito. Isso porque, para a maioria das pessoas, as 24h do dia não são suficientes e o cotidiano acaba se transformando em uma corrida contra o tempo. No entanto, é preciso tomar cuidado para essa ansiedade não se agravar, pois pode se transformar em uma síndrome do pânico.

Segundo dados do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IPq – HCFMUSP), 10% da população pode sofrer crises sem motivo aparente, denominadas crises de pânico. Cerca de 3,5% dessas pessoas sofrem ataques repetidos, o que pode causar alterações no comportamento e um medo intenso.

síndrome do pânico

Segundo Artur Scarpato, psicólogo, mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e especialista no tratamento de Transtornos de Ansiedade, a Síndrome do Pânico é um transtorno no qual a ansiedade, que ocorre de modo alterado, é o principal sintoma. A pessoa sente ansiedade e ao mesmo tempo se apavora com suas reações. É um movimento duplo de sentir e temer o que se sente, o que intensifica a reação emocional a um grau extremo de ansiedade, um estado psicológico de pânico. “Após os primeiros ataques, a pessoa passa a viver com uma expectativa ansiosa, temendo ter novos ataques e passando a evitar situações em que imagina poder ter esses ataques”, explica Scarpato.

sintomas da síndrome do pânico

De acordo com o especialista, todas as pessoas que desenvolvem síndrome do pânico têm como característica uma “hipersensibilidade à ansiedade”. Fabiana (nome fictício), 25, diagnosticada com a doença há cinco anos, conta que mal consegue respirar ao ter crises de pânico. “Quando tenho crise não consigo seguir o meu destino, nem sair do lugar. Me dá falta de ar, palpitação, tremedeira e crise de choro. É uma sensação horrível, em que tenho a impressão que vou morrer ou até enlouquecer, é desesperador”, relata.

trauma emocional

Geralmente, a Síndrome do Pânico se desenvolve a partir de um primeiro ataque de pânico que passa a se repetir. É comum que esse primeiro ataque ocorra depois de períodos de estresse emocional, em que a pessoa fica ainda mais ansiosa e reforça os pensamentos negativos. Porém, os traumas não são os únicos fatores que podem influenciar o desenvolvimento da crise. Crianças que sofreram ansiedade por vivenciar a separação dos pais, por exemplo, são mais vulneráveis a desenvolver pânico na vida adulta. “As experiências de vida, como problemas na infância e traumas, é que serão determinantes para uma pessoa desenvolver ou não a Síndrome do Pânico”, conta Scarpato.

tratamento da síndrome do pânico

O especialista explica que cortar o mal pela raiz, ou seja, a ansiedade, não é a solução, mas sim aumentar a tolerância interna para que se possa desmontar o ciclo automático dos ataques de pânico. “A pessoa entra em pânico porque fica aflita e se desespera ao se perceber ansiosa, o que aumenta ainda mais sua reação até o grau de pânico. O problema não está na ansiedade, mas em como lidar com esse estado”, afirma.

Fabiana conta como lida com a doença e diz que tem fé em voltar a ser a pessoa que era antes. “Sempre procurei o meu porto seguro, que é meu filho e minha família. Por causa deles, não penso em desistir.”

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